Vou assumir o meu nome:Ida Lenir

Sou inquieta por natureza, uma eterna insatisfeita.

A inquietude e a insatisfação nascem da e na rotina pela qual obstinadamente me empenho para tornar meu cotidiano de algum modo administrável. É como preservo minha sanidade.

Se estou insatisfeita, é porque está tudo previsível demais, sob controle, conquistado. Inicia-se, assim, o processo de buscar algo que me inspire, que me desafie.

Junto com a curiosidade e a necessidade do risco e da novidade, chegam o medo e a culpa. Medo da instabilidade e culpa por não querer mais com o mesmo entusiasmo o que ou quem eu tanto desejei.

Estou nesta fase agora. A querer o novo. De novo. Novamente. Mais uma vez.

Isto influencia minha relação com este blog, faz com que eu queira aproximá-lo do que sinto.  Mas não é recomendável mudar por qualquer motivo, ao meu bel prazer. Afinal, aqui é um espaço nosso, compartilhado entre mim, leitores e quem me acompanha. Como fazê-lo de forma definitiva?

Pensei… se o que sinto muda, o que desejo muda, o que tenho muda, o que não muda em mim? Meu nome, Ida Lenir.  A pessoa que sou, que fui e que ainda serei, estao todas atreladas a ele. Definitivamente.

Além disso, já faz algum tempo que alimento o desejo de estar à frente de meus escritos, sem máscaras. A despeitada que um dia fui (quase em tempo integral) e que se materializou no Diário de uma Mulher Despeitada, cumpriu o seu destino e não existe mais.

Este blog tem 6 anos. É uma criança que já sabe dizer o que quer. Quer ser Ida Lenir.

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Amor pouco amoroso

Ontem cheguei em casa um pouco depois das  7 da noite. Muito trabalho, dia produtivo. Nem abri a janela do quarto. Tirei a roupa, sentei na cadeira de balanço, coloquei as pernas em cima da banqueta e fechei os olhos. Não dormi, só fiquei assim, quieta, em silêncio. procurando manter a mente vazia.

Quando dei por mim, já passava das 8. Tinha muitas obrigações relacionais e domésticas  a cumprir, ainda, mas quis ficar lá, sentada, curtindo o raro prazer de  estar só, com leveza. Momentos para deixar os pensamentos fluírem, espontaneamente, sem que o superego tirano viesse com  cobranças das muitas tarefas, horários e pendências da vida prática.

E para onde minha mente foi? Para o reino das relações eróticas, que, no meu caso, nem tão eróticas são.

É sempre assim quando me deixo levar pelo livre pensar: ou penso no trabalho, ou penso nos amores, não necessariamente nesta ordem. A “escolha” deve refletir minha escala de valores, o que minh’alma entende como essencial para mim.

Desta vez, nos meus devaneios, avaliava minha mais recente empreitada na área sexual. Um lance eventual que tomou feições de regularidade irregular. Tudo muito prático, rápido e econômico. Rápido e econômico demais para alguém que gosta de saborear os nuances do encontro, seja qual for a natureza dele.

Procurava uma resposta do porquê de eu não encerrar o lance, por definitivo. A única resposta encontrada não me satisfez; não é por estar disponível quando eu também estou. Isto é apenas uma faceta da questão.

Percebi que, apesar de não ter a instrumentalidade  blasé dos homens em geral, transito com certa desenvoltura por esta seara, que não é de todo ruim como descarga sexual. Ousei até uma abordagem quantitativa, por um tempo, mas cansei. Realmente, tanto como pesquisadora, quanto como amante eventual, minha abordagem é qualitativa. Talvez por isto mantenha  alguma regularidade com o que é ocasional.

Claro que  para quem foi acostumada com encontros de  real intimidade, affairs desse tipo são insuficientes e pouco eficazes.

Daí é que aprendi mais um aspecto importante da vida de solteira convicta: ter, ao mesmo tempo, vários relacionamentos com níveis diversos de intimidade. Não se trata de ter um harém com 100 mil virgens à disposição. Trata-se de manter  envolvimento afetivo duradouro com alguém para além dos casos eventuais de 15 minutos.

No final, tudo é mesmo efêmero!  As paixões, os amores, a vida. O desejo de permanência segue ao lado da vontade de partir. Alguém vai embora, seja agora, amanhã, ou depois de amanhã.

“Eu é que não me sento, no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando..” o príncipe encantado chegar. Porque é agora que eu preciso do olhar de desejo masculino,  do toque físico sexual, de alguma coisa que alimente a fêmea que há em mim. É é hoje que eu quero o aconchego de um abraço, de uma palavra doce, de um olhar terno.

De onde vier, será bem vindo.

Sonho estranho, mente esquisita, eu não estou legal

Parodiando Renato Russo, estou meio assim, assim… estranhando a mim mesma. Ando meio autista, etérea, talvez anestesiada, sei lá.

Todo dia, desejo a hora de dormir, meu melhor momento, e sou tomada por sonhos estranhos que me levam a questionar minha sanidade. Lembro deles tim tim por tim tim. Cada um daria um post surrealista. Mas não estou a fim de experiências existenciais hoje.

Não posso, travestido de não estou a fim, tem sido meu mantra atual. Parei a dança, parei a academia, parei… só continuei a cumprir minhas responsabilidades e obrigações bovinamente.  Também passei a comer, comer, comer tudo que me oferecem, o que sobra, o que tem, sem muito gosto, o que também é estranho. Assim ganhei 5 quilos de gordurinhas em lugares indevidos e e algum desalento temporário. Fugaz desalento porque a comida traz serotonina e me deixa feliz, feliz.  Meu recurso é não olhar no espelho e usar roupas bem largas. Eufemismo visual. Tem dado certo.

O interessante nisto tudo é que eu estou LEGAL! O “não estar legal”  do título é só para fazer charme e dar um viés meio “Caio Fernando Abreu” ao texto. Aliás, assisti um especial sobre ele e me dei conta de  que não li nada do que ele escreveu. Uma lástima.

Confesso que ando esquisita. Nem a dor, nem a felicidade são tão intensas. Minha vida está indo, estou mais ou menos satisfeita, estou “de boa”. Até o intercâmbio sonhado desde a adolescência não me parece algo tão sensacional. Nada me parece extraordinário. Especialmente quando chega o final do dia.

As paixões… Ah, as paixões! Estou em recesso. Colorindo coleguismos, amizades e “contatinhos”. Cores pasteis, nada muito vibrante, nada da outra Ida apaixonada.

A vida está morna. Talvez o sapo esteja morrendo, quieto e tranquilo, sem se dar conta do perigo. (lá vem o Caio, de novo!).

Que seja. Tenho me deparado com tantas dores alheias, tanta gente mergulhada no seu umbigo, tanta falta de cuidado com as relações, tanta superficialidade nos afetos, tantos interesses se sobrepondo à escuta, que estou com overdose de contato instrumental.

Por defesa, por cuidado, por perspicácia, ou por medo, resolvi dar um tempo de me entregar para as coisas e para as pessoas. Estou me dando para mim, porque sei que mereço o que me dou e, especialmente, porque  reconheço a grandeza do que recebo. Sou grata a mim por ser quem sou.

Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. (Caio Fernando Abreu)

Nota: Mas a Ida apaixonada sai de onde ela se escondeu, quando escuto, no carro “Shape for you”. Baixa um santo zoukeiro que me faz delirar.

Dia dos namorados sem namorado

Às vésperas dos dias dos namorados, duas amigas trocam experiências pelo WhatsApp:

[19:18] Camila: Tenho que arrumar companhia para beijar na boca no dia dos namorados. Vamos fazer uma campanha? kkkk
[19:34] Luana: Ai como eu queria…vc até tem…
[19:34] Camila: Tenho não… não nesse dia. kkkkk
[19:35] Luana: Que dia mais triste… Que dia da semana vai cair?
[19:36] Camila: Segunda-feira. kkkkkkkkk Menos mal.
[19:36] Camila: Temos aula!
[19:36] Luana: Ai, graças a Deus🙏🏽
[19:37] Camila: Estou meio de saco cheio dessas relações fastfood. Resolvi que vou ficar quieta por uns tempos. Nada nem de beijar na boca. Focar no trabalho, na família, na dança. Chega de assanhamentos, por enquanto.
[19:38] Luana: 😱  Hahaha. Tu? Só eu vendo para acreditar!
[19:38] Camila: Acredite. A  gente gasta muita energia. E não compensa muito. No final das contas, não sei usufruir desse tipo de relação; depois do segundo, terceiro encontro, ou enjoo ou quero estabilidade. O que é loucura.
[19:39] Luana: Qdo é bom 🙋⁠⁠⁠⁠, essa energia é reposta em vez de ser gasta.
[19:39] Camila: Esta é a questão. Não é bom, de fato. Encontros difusos não me satisfazem. Preciso conhecer, acostumar, para poder aproveitar, de fato. Só se eu fizesse um curso intensivo para aprender a curtir assim, kkkkkk. Passei quase a vida inteira em relacionamentos estáveis.
[19:40] Luana: E não temos chance para treinar, porque falta partner. hahaha
[19:40] Camila: Homens casados não estão disponíveis quando a gente está a fim. E solteiros não querem, isto é, não estão disponíveis, de fato. Mulheres como eu são excluídas, socialmente.
[19:41] Luana: O problema dos encontros difusos é que os ficantes já tem parceira fixa e só querem uma aventura.
[19:41] Camila: Eu também só quero uma aventura! kkkk Com certa estabilidade kkkkkk Não existe, então, melhor ficar só😥 … Se um dia, eu estiver doida para beijar na boca, daí ligo para qualquer um deles e vejo se rende… Mas não quero encontrar periodicamente com alguém somente quando ele quiser e puder. Tenho recusado os convites. E o gostosinho…👮🏽‍. Não nega fogo e sabe tratar uma mulher. Pena que sumiu. kkkk
[19:42] Luana: Com certeza ele tá respeitando que vc não quer.
[19:43] Camila:  Que nada! Esse eu é q tenho que procurar mesmo. Com aquele que não posso dizer o nome, a afinidade com ele  é maior, mas com este é que não posso contar mesmo… só quando desce do mundo imaginário… acesso negado. ai ai

[19:44] Luana: Situação difícil. Nada que sirva para o dia dos namorados.    [19:46] Camila: Tudo fastfood, menina.  Aliás, é o que tenho sido, às vezes. Comida rápida e gratuita. Então, melhor ficar só. Não vou gastar meu tempo alimentando essas relações. A gente gasta muito tempo e muita energia. Estou cansada de representar. Oh, my god!                                                                    [19:47]Luana: Concordo com vc.                                                                [19:48] Camila: Então, esse dia dos namorados será dia de abstinência de beijo na boca, não é? 💋 😿🙄🙌🏻
[19:48] Luana: Pois é… Que tal sairmos para dançar, tomar um bom vinho? 🍾

Solidão a dois

Preciso dar uma pausa de uns minutinhos no trabalho para escrever sobre algo que, vira e mexe, invade meu pensamento: a solidão.

Faz um tempo que penso sobre isto, pois tenho me defrontado com muitas pessoas que se sentem , que querem amor, carinho, atenção. Algumas tornam um inferno a vida dos próximos, com cobranças e exigências fora de hora. Outras, tornam-se verdadeiras ermitãs, criam um mundo a parte em que só cabe a si e aos seus sonhos. Devagar, vão murchando, apagando…

Não se trata daquela solidão existencial da adolescência, da profusão de hormônios que nos desnorteia e nos faz mergulhar no mundo interior, por um tempo, para enfrentar o devir.

Nem mesmo de uma solidão patológica, das químicas da alma, em que a vida não faz mais sentido, de fato; em que o mundo é adverso e a culpa é do outro ou de si mesmo. As pílulas da felicidade ajudam a amenizar os sintomas, mas não solucionam a questão. O outro aqui, pouco importa.

As pessoas de quem falo são aquelas para quem o sentimento de estar só é por demais incômodo porque é uma solidão não esperada. O futuro agora presente não corresponde ao que foi planejado: o casamento acabou, entes significativos morreram, a desejada aposentadoria se apresenta como tédio ou inutilidade, os filhos estão envolvidos com seus interesses e suas próprias famílias, os amigos se distanciaram por falta de afinidade ou de disponibilidade.

O rei (ou rainha) perdeu a majestade. A contragosto, é óbvio.

Assim, dia a dia, sós, vão cultivando raiva, indignação, rancor, mágoa, tristeza. Buscam no passado as justificativas do que acontece no presente e idealizam o futuro sobre o que não acontece no presente.

Presente? Que presente? Pouco vivem o agora. Estão sempre lá, em algum lugar que lhes dá o conforto e o prazer que não sentem aqui. A realidade não consegue se sobrepor à fantasia.

Ela, a fantasia,  é insuperável em nos dar prazer e dor, porque não depende da vontade do outro. É criada ao bel prazer de cada um.

Das solidões sentidas, entretanto, a mais dolorosa é a solidão a dois. Pessoas que estão juntas, mas que não se olham, não se tocam, falam somente o trivial, o funcional para mover o cotidiano.

Pessoas autorreferentes, controladoras, anoréxicas de empatia.

Para sobreviver, criam situações de dependência imaginária para manter o outro ao seu lado, um outro que está longe, muito longe, que já foi… mas que fica porque é cômodo, porque é dependente, porque é forte, porque é fraco. O estar junto é uma convenção, uma obrigação. Por comodismo. Ou porque vive, também, em algum lugar do passado ou do futuro. Ambos idealizados.

É necessário buscar sentido para a vida em qualquer tempo, em qualquer idade. Conhecer pessoas, encontrar afinidades, ir atualizando o que se quer com os recursos físicos e metafísicos que se dispõe no momento.

Não desista de viver o agora. É preciso estar aberto para novas experiências e  tirar proveito delas para seguir em frente. Chutar o balde, se preciso for!

Sempre vivendo, aprendendo e usufruindo das gotas de alegria que caem sobre nós.

Nota: Tocar fogo para ressurgir das cinzas 🙂

 

Boa noite… menino!

Queria achar uma forma carinhosa de te chamar, de me dirigir a ti. Tudo que uso, soa meio falso, inapropriado.
Menino me parece incestuoso. Amante é antiquado, demodê, não gosto. Teu nome também não, muito formal. O apelido, nem pensar, é familiar, da casa. O nome de guerra, não dá, é de todos, não transmite a intimidade que temos.
Meu bem, meu amor, não combina com o que eu sinto, com o que sentimos. Meu tesão (o que realmente és) se torna muito atrevido, meio “saliente” demais para uma pessoa angelicalmente respeitável como eu.
Está difícil definir… parece que o que sinto se assemelha ao que Prince percebia sobre si mesmo, indefinível em palavras.
Quem sabe o símbolo do infinito? Somos o infinito num átimo. Um átimo de infinito.
O que significas não pode ser denominado, só sentido.  Sentires erótico-afetivos entremeados de apreensões, tensão, medo, insegurança, ciúme. Simplesmente complexo. Complexamente simples.
Uma corda bamba num cânion de emoções. Profundas e leves… como nós.
 O que sinto não é pensável, é sentível apenas.  Tanto que, ao não saber como me expressar, titubeio. Mas me entrego, determinada, com a certeza do momento.
 Antes de seres o meu Wladimir, eras apenas um menino. Depois, foste “meu menino”;  então, preencheste tantos recôncavos em mim que te tornaste muitos.
Vou dormir. Quem sabe, no sonho, eu consiga encontrar a palavra que traduza este afeto tão peculiar que me invade quando penso em ti.
Eu

Não existe vida boa

… nem vida ruim. Existe vida, que vai passando, vai gastando, vai acontecendo. Nada do que se faça hoje garante o resultado desejado de amanhã. Indica probabilidades e a gente torce para que dê certo. No entanto… o inesperado pode  mudar o curso da história.

A escolha que se faz  é sempre para o agora, para  já. Quem prefere ousar? Quem prefere procrastinar, investir no futuro e pagar para ver?

Saiba que pode perder a aposta. O futuro é mistério, aleatório.

Saiba também que não adianta dar ao diabético senil, o doce  que foi negado à criança desejosa.

Fui educada para viver em função de um futuro imaginado e que, portanto, não existe de fato.   Sonhei com a autonomia absoluta; liberdade total; para eliminar a possibilidade de ter que servir o outro sem querer, ou de onerar esse outro com minha dependência dele.

Pensei em viver dos louros que receberia pelos muitos anos de trabalho árduo e forçado, pelo adiamento ascético do prazer, pelo severidade pessoal no cumprimento da responsabilidade.

Esperei um tempo em que a formiga poderia viver a vida da cigarra.

Ilusão
Ilusão
Veja as coisas como elas são*

Ante a constatação de que me enganaram, de que me enganei, fazer o quê?

Creio que aprender a sorver a vida como ela é. Sem aditivos lícitos ou ilícitos. Viver o agora, sem ilusões, mas com sonhos e esperança.

Aliás, só com uma taça de bom vinho, outro tanto de carinho e bastante irreverência.

Estou gostando.

*As Cartas, Chico Buarque

 

Post completo: https://idalenir.wordpress.com/2012/10/01/droga-de-vida/

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Inesperado

Ela entrou na galeria para tomar um café. Pensava nos afazeres do dia, distraída, esperando o balconista atende-la, quando se deparou com um sorriso largo e olhos azuis que também sorriam em sua direção.

Olhou para os lados, à procura de quem era o (a) destinatário (a) daquele entusiasmo, e não viu ninguém. Franziu o cenho. Não conhecia o rapaz alto, de jeans e jaqueta surradas, que ainda sorria e comentava algo com o colega bem mais velho que o acompanhava.

Ela devolveu o sorriso, com simpatia, e pensou:  1) “que tesão de homem”; 2) ele não é para meu bico. Nesses segundos, ele já estava à sua frente, sozinho, comentando sobre os tipos disponíveis de café. Era estudante de medicina da faculdade local, natural de Minas, e o pai (o tal colega e que já havia se retirado) o estava visitando.

Explicou que ela lhe chamara a atenção porque lembrava uma professora do semestre anterior. A conversa prosseguiu, sobre amenidades, até que ela disse que precisava ir. Ele a cumprimentou com um aperto de mão e, num impulso, pediu seu telefone.

Foi assim que tudo começou.

Os romances acontecem a cada minuto e prenunciam o mesmo tanto de felizes e infelizes finais. Mas… Como saber se haverá início? Como saber quando será o final? Como saber se o final é final de fato?

Tem gente que acredita em destino. Eu acredito no inesperado, na contingência da vida que nos surpreende com alegrias e decepções.

Tudo e nada depende de cada um.

Tudo porque é preciso uma escolha, uma ação ou uma omissão para que algo aconteça. Qualquer algo, até o não acontecimento é um acontecimento.

Nada porque é a resposta do outro, a sua interpretação do que foi dito, que dá prosseguimento à interação. Só somos em relação ao outro. O espelho.

O humano é feito de relação, de laços, de redes, que nos alimentam, constroem, modificam,  humanizam.

Todo dia há possibilidade de acontecer o que se quer.

É o que me faz prosseguir.